NAC - Núcleo de Ação Cultural Flávio de Carvalho

( 23:27 ) postado por Luciane

* Matéria publicada no Jornal "O Globo"

SEGUNDO CADERNO

Rio, 29 de janeiro de 2004


Zé Renato e uma certa visão da MPB





Hugo Sukman


A despeito de ser o lançamento de seu mais recente disco, "Minha praia" (Biscoito Fino), ou um recital com algumas das principais canções que compôs e interpretou ao longo da vida, o show que Zé Renato leva no Mistura Fina revela, isto sim, uma certa visão da música brasileira contemporânea. Uma visão que pode se resumir no culto, tão emepebista, da riqueza harmônica e da qualidade poética. Ou melhor, no caso de Zé Renato - um cantor e compositor tão comprometido com a expressão contemporânea - na crença de que é possível, com esses elementos, seguir adiante na linha evolutiva da MPB.

Talvez não por acaso Zé Renato abra o show com "Andorinha", canção que resume tal visão: é melódica e harmonicamente riquíssima, letra de Paulo César Pinheiro cuidadosamente simples, de mestre; mas é também uma canção carregada de novidades ao trazer para o idioma da música brasileira uma estrutura de morna cabo-verdiana.

(Antes, Ná Ozzetti e Itamar Assumpção já singraram os caminhos da música de Cabo Verde na coladeira "Canto em qualquer canto". Mas esta era puramente cabo-verdiana, enquanto "Andorinha" é antropofagicamente emepebista, uma influência nova).

Edu, Milton e samba aparecem como influências

Entre o tradicional e o novo, assim são as coisas na visão da música de Zé Renato. Tanto que, em seguida, ele ataca um samba-canção de feição clássica, "Algum lugar" (sobre letra redonda de Capinam), e um samba todo misturado tão ao gosto da música carioca atual, "Na São Sebastião", sobre letra toda fragmentada de Lenine (que, como a de Capinam, é uma ode a uma menina conhecida por acaso na rua). Adiante, como numa síntese entre os dois tipos de samba, vem "Fica melhor assim", bossa nova de Zé Renato e Xico Chaves resgatada de 1983 para o novo disco, de invulgar influência jobiniana e letra tão boa ("Eu vou você fica/Fica melhor assim/Meu Rio de Janeiro aceso atrás de mim/Os mares são palavras/Que deixo pra você...") que dá pena Xico Chaves ser letrista tão bissexto.

Como no disco, o que é ressaltado no show é a faceta de compositor de Zé Renato. Faceta tão rica que pode se dar na revitalização da música rural brasileira ("Quem tem a viola"), numa parceria com Arnaldo Antunes com melodia que lembra as canções urbanas de Alceu Valença ("Insônia") ou em música para teatro com Hamilton Vaz Pereira ("Benefício").

Mas a tal visão que Zé Renato tem da música brasileira fica ainda mais cristalina nas canções dos outros que escolhe interpretar. E, justamente, o que se vê é a opção pela música de harmonia complexa (mas não hermética) e letra com o padrão de qualidade da música de Noel, Vinicius e Chico. Assim, ele interpreta "Outubro", uma das mais ousadas composições da juventude de seu ídolo, Milton Nascimento, lançada em 1967 mas até hoje desconcertante em termos harmônicos e poéticos (na letra de Fernando Brant). Ou redescobre a épica "Canudos", de Edu Lobo e Cacaso, do disco "Camaleão", de 1978, o primeiro a contar com os vocais do Boca Livre.

Sem abusar da extensão vocal

Do samba, outra influência na música de Zé Renato - que já dedicou discos a Zé Keti ("Natural do Rio de Janeiro"), Silvio Caldas ("Arranha-céu"), Chico Buarque e Noel Rosa ("Filosofia"), à própria produção sambística ("Cabô"), e dividiu vocais no gênero com Elton Medeiros e Mariana de Moraes ("A alegria continua") - ele pinça, coerentemente, músicas das mais elaboradas: "Folhas no ar" (Elton Medeiros e Herminio Bello de Carvalho), "Diz que fui por aí" (Zé Keti), "Pela décima vez", de Noel.

Como cantor, Zé Renato está mais comedido, não abusa da extensão vocal, o que confere mais beleza às interpretações - e este comedimento talvez seja a maior lição que o ex-cantor do Boca Livre tomou no intenso mergulho que fez no universo do samba.

Claro que, para isso, muito contribui o quarteto de acento brasileiro-jazzístico que o acompanha, sobretudo a guitarra de Ricardo Silveira. Como o bom violão de Zé dá conta do recado na base harmônica, Silveira (que acompanha Zé Renato desde a banda Zil, no fim dos anos 80) fica livre para enriquecer os arranjos com acordes inesperados.

"Minha praia", o show, faz jus ao título ao expor todo um universo autoral . Mas, mais do que isso, é uma proposta, nada comum hoje em dia, de uma certa estética moderna para a música brasileira.


Fonte: Jornal "O Globo", de 29/01/2004




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( 20:56 ) postado por Luciane


Um espaço reservado para cultura, artes e literatura

BARRA MANSA

Já imaginou um ambiente propício para cultura, artes, literatura, onde as pessoas respirem ares diferentes, possam conversar sobre assuntos que pouca gente conversa e escutar músicas de estilos clássicos? Não é ilusão, esse lugar existe em Barra Mansa, na Rua José Maria da Cruz, ao lado do Posto Mega, no Centro da cidade. É o Núcleo de Ação Cultural Flavio de Carvalho (NAC), uma entidade sem fins lucrativos formada basicamente por professores do Centro Universitário de Barra Mansa (UBM) e pessoas simpatizantes da idéia, que se reúnem para compartilhar momentos de descontração e cultura. Com três anos de vida, o NAC reúne um vasto e diversificado acervo literário, constituído por doações vindas de São Paulo, Rio de Janeiro, Barra Mansa, Itatiaia, Minas Gerais e outras localidades. Segundo o presidente do núcleo e professor de sociologia, Jorge Santana, o NAC tem livros das mais diversas áreas. - Temos obras que abrangem todos os segmentos, que vão do clássico da literatura brasileira e universal aos livros acadêmicos das áreas de economia, letras, direito, administração, medicina e enfermagem, entre outros. Além disso, temos vídeos e um acervo de discos de vinil - , revelou Jorge. Várias pessoas abraçaram o núcleo e qualquer cidadão que se interessar pode procurar a entidade para se associar. A mensalidade é de R$ 5 e dá direito ao empréstimo de livros e de desconto na aquisição de obras novas ou usadas. É como se fosse uma biblioteca, em que, inclusive, as pessoas podem usar o espaço para estudo - , diz Jorge. O NAC oferece também curso gratuito de esperanto, uma língua independente praticada por pessoas no mundo inteiro. - Fazemos exposições, uma delas foi com o cineasta e fotógrafo André Sodré, que lançou um filme no ano passado. Nos reunimos e realizamos um debate sobre o trabalho dele. Foi um encontro muito interessante -, relembrou Jorge.
Encontro cultural

O intercâmbio de gerações e de conhecimentos tem hora, dia e local marcado. Tudo acontece às quartas-feiras, após as 22 horas, quando todos estão livres de suas obrigações profissionais, revela Jorge, ressaltando que o grupo, formado em média por 15 pessoas, é composto por professores, universitários e pessoas simpatizantes da ideologia. - Outro dia conheci uma turma de teatro de que gostei muito e os convidei para se apresentarem no NAC. Estamos abertos a qualquer proposta cultural, basta que haja o contato com o núcleo, revela Jorge. A professora de Língua Portuguesa Leia Aparecida Barbosa, 41 anos, foi aluna do curso de Letras do UBM e freqüenta o NAC desde a universidade, sendo uma das pessoas que iniciaram o movimento. Para ela o núcleo é importante porque Barra Mansa não oferece muitas coisas em termos de cultura. - Gosto da ideologia e do ambiente, por essa razão faço parte desde o início -, diz Leia. Mesmo não se especializando na área literária ou de artes, a técnica em contabilidade Sandra Vieira Ribeiro, 31 anos, é uma amante da literatura e fotografia e essa vontade a fez entrar para o NAC, onde é voluntária. Vim por intermédio de uma amiga, achei as idéias, o lugar e tudo muito interessante, então, uni o que o núcleo oferece com a minha vontade e gosto pela cultura -, conta Sandra.


Iniciação à leitura

Um dos projetos que estão sendo elaborados pelo NAC é a Iniciação à leitura, um trabalho que visa introduzir crianças e adolescentes de áreas carentes na literatura. Para isso os componentes do núcleo estão terminando o projeto. A idéia é colocar o trabalho dentro da Lei Roanet, de incentivo à cultura, do Ministério da Cultura. Queremos um patrocinador, ou melhor, uma empresa que queira entrar nesse projeto, pois sob a Lei Roanet a empresa deduz uma porcentagem de seus impostos para eventos culturais -, diz Jorge.


Divulgando o trabalho e memória de Flávio de Carvalho


Uma das idéias do NAC é divulgar as obras do artista e arquiteto Flávio de Carvalho, um dos propulsores da era modernista, nascido no distrito de Amparo. Flávio de Carvalho, na visão de diversos especialistas, foi um profissional multimídia, pois era arquiteto, artista plástico, escritor e autor de peças de teatro. Ele apenas nasceu em Barra Mansa, foi criado na Europa. Flávio de Carvalho era membro de uma influente família de fazendeiros produtores de café. A casa em que nasceu existe até hoje -, conta Jorge. O artista era considerado um tanto quanto avançado para sua época, década de 20. Ele mesmo projetou a casa em que morou na cidade de Valinhos (SP), uma obra futurista. A peça de teatro Balada do Deus Morto, foi considerada pelas pessoas da época muito desrespeitosa, sendo impedida de ser apresentada. Ele criou o que chamou de roupa adequada para os trópicos, que era uma saia que poderia ser usada por homens; sendo assim, vestiu a idéia e saiu pelas ruas de São Paulo, desfilando, relembra Jorge, completando: Lúcio Costa fala em um vídeo, editado pelos alunos da PUC de Campinas (SP), que ele foi o propulsor do modernismo e das obras de Oscar Niemeyer. A idéia do NAC é divulgar a obra e trabalho dessa figura barramansense, sobre quem já foram realizados dois seminários no Sesc, nos anos de 2001 e 2003, com especialistas do ramo de artes plásticas, arquitetura e literatura, em que foi debatida a contribuição de Flávio de Carvalho para todos esses segmentos.



Núcleo de Ação Cultural Flavio de Carvalho tem
acervo literário das mais diversas especialidades







Fonte: Jornal "A Voz da Cidade" - Barra Mansa - RJ.
Matéria publicada em 27 de Janeiro de 2004.


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( 23:43 ) postado por Luciane


CURSO:

Está iniciando hoje, no Núcleo de Ação Cultural Flávio de Carvalho, o curso de ESPERANTO.
É o curso inicial.
Será ministrado todas as quintas-feiras, das 19 às 21 horas, na sede do Núcleo.
Duração: 06 (seis) semanas (Primeiro Módulo).

* As aulas são gratuitas *

O Livro poderá ser adquirido no local, ao preço de R$ 6,00 (seis reais).

Os interessados poderão fazer sua inscrição e garantir sua vaga (ainda há tempo!), no:

NÚCLEO DE AÇÃO CULTURAL FLÁVIO DE CARVALHO

Rua Doutor Mário Ramos, nº 273-A - Centro (ao lado do Posto de Gasolina)
Barra Mansa - RJ.

Telefones: (24) 3322-8800 / (24) 9271-5374 / (24) 9841-7663
(falar com Sandra ou Luciane)


Venham nos conhecer melhor!!!!
Temos outras atividades!
Todas interessantes!
;-)




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( 23:23 ) postado por Luciane


Hoje, no Jornal "O Globo":
Segundo Caderno

Rio, 22 de janeiro de 2004


Todas as praias de Zé Renato



Ao gravar o CD "Minha praia", Zé Renato pensou em mostrar ao seu público uma porção que ele considera fundamental em sua carreira musical, consolidada por sua atuação como cantor, dono de uma das vozes mais bonitas da música brasileira: ele queria mostrar que também é um compositor de mão-cheia, que nunca deixou de criar letras e melodias durante sua carreira.
Juntou algumas canções antigas como "Ânima", parceria com Milton Nascimento, e "Toada", com Juca Filho e Cláudio Nucci, dos seus tempos de Cantares, seu primeiro grupo antes do Boca Livre, e chamou novos parceiros como o pernambucano Lenine ("Na São Sebastião") e Paulo César Pinheiro ("Andorinha"), além de Arnaldo Antunes ("Insônia").
O resultado primoroso pode ser visto de hoje a sábado e na semana que vem, no Mistura Fina, na Lagoa.
Os shows começam, hoje e amanhã, às 21h30m, e, no sábado, em dois horários, 20h e 23h.


Convidado para fazer a direção geral da temporada de lançamento do CD, Flávio Marinho, de cara, achou que o público rejeitaria um show com a maioria das músicas inéditas. E, curiosamente, seu dilema foi o ponto de partida para a construção de um repertório que perpassa toda a carreira de Zé Renato.
Está ali o compositor, cantor e arranjador vocal do Cantares e do Boca Livre; suas experiências em discos como "Pelo sim, pelo não", feito com Nucci; sua afirmação como um mestre do canto brasileiro nos tributos a Zé Kéti, Sílvio Caldas, Chico Buarque e Noel Rosa; e, por fim, suas composições em excelentes discos autorais como "Cabô" e o atual.

Acompanhado de músicos de primeira linha como o guitarrista Ricardo Silveira, o baixista Rômulo Gomes, o baterista Jurim Moreira e o pianista e acordeonista Chiquinho Chagas, ele vai cantar "Pela décima vez", de Noel Rosa; "Diz que fui por aí", de Zé Kéti, "Cotidiano", de Chico Buarque, "Eu quero é botar meu bloco na rua", de Sérgio Sampaio, e "Canudos", de Edu Lobo e Cacaso, entre outras.

(João Pimentel)



MISTURA FINA

Av. Borges de Medeiros, nº 3.207 - Lagoa -
Rio de Janeiro - RJ
Telefone: (21) 2537 - 2844.
Diariamente, das 12h até o último cliente.
Capacidade: 180 (cento e oitenta) pessoas.
Ar-condicionado.
Manobrista.

* Dias 22, 23, 29 e 30/01/2004 (quintas e sextas) às 21 horas.

* Dias 24 e 31/01/2004 (sextas) às 20 horas e às 23 horas.

R$ 23,00 (às quintas)

R$ 28,00 (às sextas e sábados)




Venham conhecer (e participar!):

Grupo de Discussão sobre o cantor e compositor Zé Renato

Blog do Zé Renato

Mistura Fina




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( 04:52 ) postado por Luciane
Divulgação:




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( 16:33 ) postado por Luciane
Feliz Ano Novo!

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Espaço para se falar sobre Cultura em geral, bem como sobre o NAC - NÚCLEO DE AÇÃO CULTURAL FLÁVIO DE CARVALHO, localizado na Cidade de Barra Mansa - RJ., e que tem como objetivo difundir a Cultura, sob todas as suas formas e aspectos.

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